A história por trás do Eu Amo Aprender
Sobre a autora
Uma trajetória construída entre educação, pesquisa, prática e a inquietação de compreender como as pessoas aprendem.
Por trás do Eu Amo Aprender existe uma trajetória que começou muito antes dos materiais que hoje chegam às mãos de professores e educadores.
Dra. Vanessa Kelly Sales é educadora, pesquisadora, psicopedagoga, psicanalista, escritora, autora de materiais didáticos e paradidáticos, revisora e editora científica. É idealizadora do Eu Amo Aprender e autora da Teoria da Inteligência Global — TIG.
Sua trajetória reúne escola, biblioteca, coordenação pedagógica, Atendimento Educacional Especializado, assessoria educacional, consultório psicopedagógico, produção de materiais, pesquisa acadêmica, escrita, revisão e editoração científica. As experiências produziram perguntas; as perguntas levaram ao estudo; e o estudo voltou à prática, renovando as perguntas.
Neste conteúdo
Antes de uma teoria, existiram perguntas
Uma questão atravessa a trajetória de Vanessa: por que pessoas expostas a uma mesma situação de ensino podem aprender de maneiras tão diferentes?
Na prática educacional, essa pergunta aparecia de muitas formas: crianças que demonstravam conhecimentos que não apareciam em uma atividade escrita; estudantes que precisavam de outras mediações; diferenças na comunicação, na participação e no tempo necessário para responder; professores que utilizavam recursos semelhantes e viviam experiências diferentes com suas turmas.
Compreender quem aprende, como aprende e em quais condições a aprendizagem pode ser favorecida tornou-se uma questão permanente de estudo.
2014–2019: estudos, prática e construção
A partir de 2014, os estudos relacionados à inteligência, à aprendizagem e ao desenvolvimento ganharam maior centralidade. Entre 2014 e 2019, estudo e atuação profissional caminharam lado a lado em diferentes espaços da Educação Básica.
A biblioteca escolar e os encontros com o conhecimento
Na biblioteca escolar, o contato cotidiano com crianças, livros, histórias, leitura, pesquisa e imaginação permitia observar diferentes maneiras de aproximação com o conhecimento. Algumas crianças perguntavam; outras observavam, ouviam histórias, desenhavam, pesquisavam ou relacionavam os livros às próprias experiências. A biblioteca tornou-se um dos espaços em que se fortaleceu a percepção de que aprender não acontece de uma única maneira.
A coordenação pedagógica ampliou o olhar para quem ensina
Na coordenação pedagógica, o olhar também se voltou para o professor, o planejamento, as escolhas metodológicas, os recursos, a organização escolar e a distância que pode existir entre o que se planeja e o que acontece no cotidiano. Uma proposta não se realiza apenas por estar escrita: depende de compreensão, condições e mediação.
Assessoria às escolas e materiais independentes
O trabalho de assessoria a escolas levou à criação de materiais pedagógicos independentes para apoiar situações concretas da prática educacional. O processo partia do que era observado: identificar uma necessidade, estudar possibilidades, desenvolver uma proposta, levá-la à prática, observar e repensar. Os recursos eram uma forma de transformar questões pedagógicas em possibilidades práticas.
Psicopedagogia, AEE e inclusão vivida na prática
Olhar para a singularidade do aprender
A atuação em consultório psicopedagógico aproximou Vanessa dos percursos individuais de aprendizagem. Dificuldades, potencialidades, estratégias próprias, aspectos emocionais, diferentes tempos de processamento e relações com o conhecimento passaram a fazer parte desse campo de observação.
Em vez de observar somente aquilo que uma criança ainda não consegue fazer, o que acontece quando investigamos como ela aprende?
AEE e escola pública
Na Sala de Recursos Multifuncionais, no Atendimento Educacional Especializado — AEE — da escola pública, a inclusão passou a fazer parte do cotidiano profissional. O trabalho junto aos estudantes público da Educação Especial exigia observar barreiras, recursos, possibilidades de participação, comunicação, autonomia e potencialidades.
Que recursos, estratégias, mediações e condições podem ampliar a participação e as possibilidades de aprender?
O contato com o AEE, associado aos estudos sobre o Transtorno do Espectro do Autismo — TEA — e outros perfis neurodivergentes, fortaleceu um princípio: a diferença não significa ausência de possibilidade de aprendizagem.
2020: a Coleção Eu Amo Aprender chega às escolas
Depois de anos de estudos, experiências profissionais e produção independente de materiais, 2020 marca uma nova etapa: as escolas começam a utilizar a Coleção Eu Amo Aprender. A coleção organizou ideias e propostas desenvolvidas anteriormente e levou essa produção a novos contextos educacionais.
Criar materiais, porém, não era suficiente. Vanessa queria compreender de maneira mais sistemática as metodologias utilizadas nas escolas e o quanto os professores conheciam os fundamentos daquilo que realizavam diariamente. Essa inquietação conduziu à pesquisa de Mestrado.
2021: o Mestrado e a investigação das metodologias de ensino
Em 2021, Vanessa desenvolveu sua pesquisa de Mestrado em Ciências da Educação, intitulada Metodologias de Ensino: uma análise sobre o conhecimento e funcionalidade nas escolas de Ensino Fundamental no município de Caruaru-PE.
A investigação buscou identificar as metodologias utilizadas nas escolas e conhecer a compreensão dos professores sobre elas, considerando sua aplicação na prática pedagógica. Foram analisados documentos institucionais e realizadas etapas de pesquisa de campo: a etapa quantitativa contou com 100 docentes; houve aprofundamento com 10 professores e entrevistas com gestores de três escolas das redes municipal, estadual e particular.
Entre os aspectos identificados estavam incertezas e oscilações entre docentes acerca da metodologia utilizada nas próprias escolas, trazendo à tona questões sobre conhecimento metodológico e sobre a relação entre proposta institucional e prática cotidiana.
A pesquisa ampliou uma inquietação construída desde a prática profissional: seria suficiente escolher uma metodologia para responder à complexidade dos processos de aprendizagem e desenvolvimento?
2022: do Doutorado à Teoria da Inteligência Global
No Doutorado em Ciências da Educação, a investigação avançou para a organização de uma proposta integrativa sobre aprendizagem e desenvolvimento humano. O percurso culminou na sistematização acadêmica da Teoria da Inteligência Global — TIG e sua aplicação à Educação Infantil.
A TIG propõe uma compreensão integrada de dimensões relacionadas à cognição, emoção, criatividade, subjetividade, relações humanas e experiências significativas. Sua sistematização não encerrou a investigação: abriu novas perguntas e caminhos de pesquisa.
Em 2022, a produção pedagógica também apresenta registros de continuidade editorial da Coleção Eu Amo Aprender, incluindo uma 3ª edição.
2023–2026: novos ciclos de criação e revisão
2023: a coleção avança para o Ensino Fundamental
Em 2023, a Coleção Eu Amo Aprender chega ao Ensino Fundamental — 1º ao 3º ano — ampliando sua presença para uma nova etapa da Educação Básica e considerando as características e demandas dos anos iniciais.
Novos estudos, novas perguntas
A sistematização da TIG não representou o encerramento das investigações. A experiência profissional e o interesse pelo funcionamento humano conduziram à continuidade da formação em Educação Especial e Inclusiva, Neuropsicopedagogia, Neurociências e Neuroaprendizagem, entre outras áreas.
Em 2025, os aprofundamentos em Neurociências e Neuroaprendizagem ampliaram o repertório para analisar atenção, percepção, memória, emoção, processamento das informações e movimento. Esses estudos serviram para rever decisões pedagógicas — comandos, organização visual, quantidade de estímulos, tempo, participação e diferentes possibilidades de resposta — sem transformar materiais em protocolos clínicos ou atribuir a uma atividade efeitos que ela isoladamente não pode garantir.
2026: o percurso retorna aos materiais
Em 2026, uma nova etapa do Eu Amo Aprender reflete a revisão construída a partir de anos de estudos e experiências. Sempre que pertinente, a criança é convidada a viver uma experiência antes de chegar ao registro no papel: brincadeiras, movimento, oralidade, investigação, arte, música, interação, imaginação e experiências sensoriais aparecem de forma ainda mais explícita.
A aprendizagem não precisa começar no papel. O papel pode registrar uma experiência; não precisa substituí-la.
Da produção pedagógica à produção científica e editorial
A trajetória de Vanessa também se ampliou para a escrita, a produção bibliográfica, a revisão e a editoração científica. Sua produção inclui livros, materiais didáticos e paradidáticos, trabalhos acadêmicos e outras publicações.
Entre suas obras estão a Coleção Eu Amo Aprender e títulos como 2020 — O ano que não vivemos, Sapatinhos de Fogo, As Aventuras do Vovô Valdeci e SuperLua, entre outros.
Além da autoria, Vanessa atua como revisora de obras de outros autores e orientadora em produções científicas, contribuindo para a organização, o desenvolvimento e o aprimoramento de trabalhos destinados à publicação.
O levantamento bibliográfico informado reúne 81 registros de ISBN com participação direta como autora ou revisora, além de mais de 30 registros em periódicos científicos. A produção completa pode ser apresentada separadamente, identificando título, ano, ISBN e tipo de participação.
Na comunicação científica, participa de iniciativas editoriais vinculadas à International Integralize Scientific — IIS, à Revista Científica Id Acadêmico e à Realizeduc Scientific Journal. Também esteve envolvida na organização científica de Simpósios Científicos Internacionais, ampliando sua atuação para espaços de diálogo entre pesquisadores, autores e diferentes áreas do conhecimento.
Formação que acompanha as perguntas
A formação acadêmica de Vanessa Sales foi sendo construída conforme novas questões surgiam na prática profissional. Reúne estudos em áreas relacionadas à Educação, Psicopedagogia, Psicanálise, Educação Especial e Inclusiva, Neuropsicopedagogia, Neurociências e Neuroaprendizagem, além de formações interdisciplinares. Possui Mestrado e Doutorado em Ciências da Educação e Pós-Doutorado em Educação.
Mais do que uma sequência de títulos, esse percurso revela como uma área conduziu à pergunta seguinte: a Educação levou à investigação da aprendizagem; a aprendizagem aproximou o olhar da Psicopedagogia; a diversidade encontrada nas escolas levou ao aprofundamento na inclusão; e as questões da prática chegaram à pesquisa acadêmica, que retornou aos materiais.
Uma trajetória circular
Talvez a trajetória da Dra. Vanessa Sales seja melhor compreendida não como uma linha reta, mas como um movimento contínuo:
A biblioteca levou às crianças; as crianças, às perguntas sobre aprendizagem. A coordenação aproximou essas perguntas do trabalho dos professores. A assessoria transformou necessidades em materiais. A Psicopedagogia aproximou o olhar das singularidades. O AEE fortaleceu as questões relacionadas à inclusão.
Os materiais chegaram às escolas; o Mestrado investigou metodologias e práticas docentes; o Doutorado sistematizou a TIG. A coleção avançou para o Ensino Fundamental. Novos estudos fizeram Vanessa retornar aos materiais para observá-los novamente. E todo esse percurso volta ao mesmo ponto: compreender melhor quem aprende.
Mais de uma década aprendendo sobre o aprender
Quando um professor encontra hoje um material do Eu Amo Aprender, existe uma história anterior àquela página: experiências educacionais, estudantes que provocaram perguntas, professores e escolas que apresentaram desafios reais, inclusão, atendimento psicopedagógico, materiais revistos, pesquisa, livros, formação e produção científica.
- 2014–2019Estudos, biblioteca escolar, coordenação pedagógica, assessoria, materiais independentes, Psicopedagogia, AEE, TEA e neurodivergência.
- 2020A Coleção Eu Amo Aprender começa a ser utilizada pelas escolas.
- 2021Mestrado em Ciências da Educação e pesquisa sobre metodologias, conhecimento docente e cotidiano escolar.
- 2022Doutorado em Ciências da Educação, sistematização acadêmica da TIG e continuidade editorial da coleção.
- 2023Lançamento da Coleção Eu Amo Aprender para o Ensino Fundamental — 1º ao 3º ano.
- 2024Continuidade dos estudos, da produção bibliográfica e do desenvolvimento profissional.
- 2025Aprofundamentos em Educação Especial e Inclusiva, Neuropsicopedagogia, Neurociências e Neuroaprendizagem; revisão dos materiais.
- 2025–2026Ampliação da produção científica e editorial, revisão de obras, periódicos e simpósios científicos internacionais.
- 2026Nova fase do Eu Amo Aprender: atualização dos materiais e presença mais explícita de experiências e brincadeiras antes do registro.
E a história continua…